sobre a tristeza do existir
acorrentado a algo que nem conhece
procura a sombra ainda quente
e a lambida de sua mãe
que já habita a corrente de outrem
suas costelas a mostra
numa vitrine à céu aberto
miram o horizonte
a procura da esperança
que nunca sentiram
a beleza radiante do pêlo que reluz
não sobressai a lágrima dos olhos espremidos pelo sol
suas ferraduras cravadas no couro
doem ainda menos do que o cárcere
as celas falsamente amigáveis
roubam-lhe a vida livre que ao nascer
lhe prometeram
o senhor chicoteia o ser que acha que possui
mal sabe ele que o verdadeiro dono
lhe prometeram
o senhor chicoteia o ser que acha que possui
mal sabe ele que o verdadeiro dono
não lhe faz mal algum
a natureza vingará o ser enjaulado, cercado, encarcerado
que em silêncio chora, e clama
pelo direito de existir
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