4 de fevereiro de 2019

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Um casal de corujas - pensei - enquanto descia aquela rua esburacada de madrugada.
Admiro os animais noturnos, parecem tão plenos, tão cheios de si, tão certeiros, devem ser leoninos. Ri, enquanto tropeçava numa lajota pela metade.

Acho que valeu a pena vir até aqui, ou será que não? - Mas que final de mundo - tsc - Ela não mora, se esconde, falo em voz alta, enquanto tropeço de novo e quase caio, acho melhor prestar atenção nessa porra.

Continuo andando até que percebo que talvez esteja indo pro lado contrário, não deveria ter bebido tanto, tropeço de novo. Dessa vez, meu sangue fica na lajota, carimbando essa rua rachada com meu DNA. Ainda bem que não sou um assassino em fuga, rio alto.

As madrugadas tem sua beleza, o barulho de sapos que ecoam, os vagalumes brilhando por aí, a ausência de gente e o breu que não reluz.

- Mas o que eu vim fazer aqui mesmo? - Falo alto, ao mesmo tempo que tiro pedrinhas do meu joelho ralado.

Caminho por muito tempo até que me lembro o motivo da minha viagem
- Eu vim por ela - penso alto - eu vim ganhar o amor que nunca tive - eu vim..

Sirenes rompem o soar dos sapos de longe em meio ao soturno

Em um milésimo de segundo o vazio e a escuridão não mais permeiam, me encontro ali, jogado a esmo, naquelas lajotas que continuam a me assediar, com pedrinhas afiadas e impertinentes, cravando sujeira na minha pele

- Eu vim por ela.......... - falo sem força, ao mesmo tempo que levo um chute raivoso na costela

- VOCÊ ESTÁ PRESO POR HOMICÍDIO DOLOSO

E enquanto o soco acerta em cheio a minha cara, em meio a uma trip de apagão, sem respirar, lembro, com perfeição e maestria, exatamente, o que fui fazer na rua de lajotas sacanas dela...
eu vim por ela....eu vivi por ela....e tirei a vida dela, para que na próxima, ela nasça para me amar..


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