vivo à procura dos jardins bonitos
onde as flores descansam e observam a vida atravessá-las desmunida
vivo à procura das sensações nunca sentidas
fruto de uma psique fértil
onde crescem ideias coloridas e semeiam árvores trazidas
que exalam uma paixão recém-nascida
mas que um dia adoecem
e morrem, em tons de cinza
numa dança mórbida e sombria
cruciante, lúgrube, vazia
vivo à procura dos jardins desprovidos de flora
mortos de aurora
mas que continuam bonitos
ao renascer de mais um dia
rebrotando a semente jazida, estremecida
e sucumbida
pela própria vida
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