sentou-se no meio de cinco bancos
na tentativa da simetria, suponho
lia um livro de capa azul marinho
e sua boca vermelha gesticulava levemente as palavras que lia
as mãos pequenas e frágeis seguravam o livro
como quem toca um recém-nascido com dedos de algodão
seus olhos brilhantes acompanhavam as palavras enquanto eu os acompanhava
sorria timidamente quando encontrava sentido nas frases ali escritas
era como se eu pudesse ler através do seu rosto, hieróglifos
poesias de um poeta que amava demais
e que não podia desejar outra coisa além de
tornar-se um livro para que pudesse tê-la
e a fazer sorrir...
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